quinta-feira, 1 de julho de 2010

Quinze processos constróem uma história de saudades e revolta


Uma das personagens que vive nesse roteiro e passou por esse drama ( Dar à luz detrás das grades, apresentado na reportagem 01, postada abaixo desta) foi a jovem Luciane Duarte da Silva de 24 anos. Ela já tinha chegado gestante, sua história se agrava porque ao dar a luz, devido ela usar drogas, conseqüentemente levou a criança para a incubadora porque o coração batia fraco e tinha graves problemas respiratórios. A baiana que tem a família radicada no município cearense de Acopiara revela que são 15 processos que a separa do filho. O filho de Luciane foi separado dela antes mesmo do período permitido pelas normas da Secretaria de Segurança Pública e Cidadania, que são seis meses. Quando ela estava na creche cuidando do pequeno João que hoje se chama Ítalo, ela foi pegue usando drogas.

O novo nome da criança foi dado pela avó, já que ela achava o nome João feio. Como medida de punição. a direção do presídio, segundo ela, tirou o filho dos braços dela. Primeiro a direção deu um prazo para a família ir buscar a criança, caso contrário o dilema se voltaria a mandá-la para um abrigo público em Fortaleza. O amor da avó pelo neto não deixou que isso se realizasse, pediu mais um prazo junto a coordenação do Instituto Penitenciário Feminino (IPF), para que ela fosse pegar a criança, caso contrário “Se mandarem meu neto para um abrigo eu trago os Direitos Humanos", disparou a avó da criança.

Devido ao uso de drogas dentro da creche, Luciane ficou 30 dias numa cela chamada de segurança, que se trata de uma prisão "solitária". “157 (Furto a mão armada), 155 (Furto) e muitos outros e o meu vício nas drogas colaboraram para a separação de meu filho de mim" revela com a tristeza no rosto e as lágrimas nos olhos. Se tudo poderia ser diferente? Ela esbraveja que “Quando eu sair daqui, mais rápido possível, vou trabalhar, sustentar meu filho". A jovem entrou para o mundo do crime por influência, tanto pelas as amigas que a chamavam para usar drogas, como pelo pai do pequeno Ítalo, que a convenceu a fazer assaltos. Fora Ítalo, ela tem mais quatro filhos.

Sua maior dor é saber que é odiada pela filha mais velha de 14 anos. O ódio por parta da filha é motivada pelo fato de que Luciane começou a se relacionar com mulheres. Lágrimas caem dos olhos, as mãos não paravam de estalar os dedos, a emoção veio à tona e perguntada sobre o que ela mais queria naquele momento, numa tarde de terça-feira ensolarada, ela responde “Hoje estou muito triste, o melhor presente para mim agora, seria ver meu filho e ter o amor da minha filha de volta, queria também que ela entendesse que me relaciono com mulheres para evitar sofrimentos" conclui revelando a situação que a condiconou ao mundo das drogas, além de convites, foi a separação dos filhos.

Por_ Miguel Anderson Costa
Foto_ Esdras

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